Você arriscaria uma explicação para o fato de as sentenças (3) e (4) em português brasileiro serem possíveis (gramaticais) e as sentenças (6) em francês e (8) em inglês não? O que está em jogo já não pode mais ser um Princípio, mas um Parâmetro, pois é marcado diferentemente para o português, para o francês e para o inglês, não é mesmo? Observe que enquanto em português a oração é bem formada com realização do sujeito lexical, cf. (3), ou sem, cf. (4), em francês e inglês a boa formação da oração depende da realização lexical do sujeito, conforme os pares de exemplos em (5)/(6) e (7)/(8). Se você está lembrado, estamos falando do Parâmetro do sujeito nulo, que você já discutiu na disciplina Introdução aos Estudos Lingüísticos. Com base na versão da teoria de Princípios e Parâmetros que utilizamos, esse parâmetro pode ser marcado positiva ou negativamente nas línguas naturais. No caso do português, a marcação parece ser positiva; por isso, podemos ter sentenças sem o sujeito expresso ou foneticamente realizado, como em (4). Por outro lado, o francês e o inglês marcam negativamente esse Parâmetro, já que não permitem sentenças sem o sujeito expresso ou foneticamente realizado, como em (6) e (8).
Parâmetro A marcação do valor positivo ou negativo do parâmetro é feita pela criança a partir da informação lingüística contida nos dados a que ela está exposta no período de aquisição da linguagem. No momento em que a criança passa a fixar ou estabelecer os parâmetros da gramática de sua língua particular, com base nos dados lingüísticos que estão ao seu alcance, a gramática da criança vai se constituindo, vai amadurecendo. As gramáticas das línguas particulares se constituem, então, de Princípios e de Parâmetros já fixados. Como dissemos anteriormente, a Gramática Universal (GU) é o estado inicial da Faculdade da Linguagem. Já a gramática do indivíduo adulto, vista como a evolução da Gramática Universal, constitui o estado final.