top
Aquisição da Segunda Língua






A evidência negativa, disponibilizada durante interações, pode ser apresentada na forma de correção ou pode ser negociada – ou seja, o aprendiz e seu interlocutor procuram resolver o problema na comunicação, negociando significados. Em ambos os casos, a evidência negativa é uma forma de alertar o aprendiz sobre um erro em sua produção.

Se o erro for percebido – notado – pelo aprendiz ele tem que decidir qual é exatamente o problema e como vai resolvê-lo. O aprendiz, então, formula uma hipótese sobre a forma correta e a confirma mediante feedback adicional. Esse processo – o de notar – é considerado fundamental para a aquisição de L2: é somente notando/percebendo um item linguístico que podemos incorporá-lo ao nosso repertório e avançar no processo de aquisição. A hipótese da percepção (Noticing Hypothesis), proposta por Schmidt (1995), postula que esta é condição necessária para a aquisição ocorrer.
A figura 3 a seguir ilustra o papel da evidência negativa na Teoria do Insumo, Interação e Produção.

Uma das maneiras que o aprendiz têm de confirmar suas hipóteses sobre como determinado item linguistico funciona na L2 é através da produção (oral ou escrita) – isto é, o uso da língua. Swain (1985, 1995) formulou a hipótese da produção em que postula que o ato de falar (ou escrever) a L2 força o aprendiz a transitar do processo de compreensão – em que o uso da língua é semântico – para o processo de sintaticalização. Quando estamos engajados em compreender a língua operamos majoritariamente na dimensão semântica da L2 e usamos estratégias variadas para lidar com questões de natureza gramatical. Entretanto, quando falamos a L2, é mais difícil ignorar os aspectos gramaticais do que queremos dizer e somos forçados a buscar os itens gramaticais irão formar nossas sentenças. Por fim, a produção, além de colocar a gramática da língua em evidencia, é também eficaz na automatização do que está sendo adquirido. A automatização é alcançada através do uso – ou seja, da prática consistente e regular das formas lingüísticas.