Retomemos agora a sentença em (63b), retomada abaixo em (65). O verbo ver também é um verbo de dois lugares, mas o papel dos participantes agora não é relativo a ações, mas ao próprio ato de falar sobre experiências (processo perceptivo).
(65) O menino viu uma formiga VER (o menino, uma formiga)
Neste caso, realçamos o papel do experienciador, foi o menino que [viu a formiga]. E a formiga continua sendo o objeto, mas nesse caso, um objeto neutro (não afetado), apenas um tema. Consideremos agora as sentenças (63a) e (63f), agora em (66) e (67).
(66) Pai e filho passeiam pelo terreiro de casa PASSEAR (pai e filho)
(67) A formiga morreu (ou a formiga desmorreu) MORRER (a formiga)
Tanto passear como morrer (ou desmorrer) são verbos de um lugar, isto é, requerem a presença de apenas um argumento. Esse argumento, porém, apresenta papéis diferentes: em (66) pai e filho é um argumento que desempenha o papel de agente e em (67) a formiga é um argumento tema. A expressão pelo terreiro de casa, em (66) não se caracteriza como argumento, pois não é exigido pelo verbo (é apenas um adjunto).