Considere os trechos a seguir: (18) (a) E aí, beleza?... (b) Venho por meio desta... (c) O presente artigo é fruto de uma investigação... (d) Era uma vez... (e) Às 21h45 de ontem, na Vila Sônia, um policial foi... (f) Ai! não maldigas minha fronte pálida... (g) A seca no Brasil é um problema político, não climático...
Quando nos deparamos com essas breves seqüências lingüísticas, qualquer pessoa familiarizada com textos na língua portuguesa é capaz de identificar os diferentes tipos de texto a que cada uma se refere. Por exemplo, o item (a) é um modo ritualístico que utilizamos para saudar os nossos amigos informalmente, em conversas cotidianas; assim como a expressão (b) indica um uso ritualístico de se iniciar cartas e ofícios formais. O item (c) é uma frase típica de textos acadêmicos que vêm apresentar uma nova verdade científica, um propósito oposto ao de (d), no qual a expressão “era uma vez” revela o início de uma narrativa que trata precisamente de histórias fantasiosas, dirigidas ao público infantil. Em (e), a descrição objetiva de tempo e lugar, seguida de um certo acontecimento, indica um noticiário jornalístico; um tom marcantemente distinto de (f), em que a interjeição “Ai!” e as palavras rebuscadas indicam um uso poético da linguagem. Por fim, em (g), a asserção sobre a real natureza da seca indica um texto eminentemente argumentativo.