“Antes os homens tinham suas ações na alma e no coração, agora têm-nas no bolso.” (José de Alencar, 1829-77).
Antes mesmo de pensarmos na relação ética e trabalho, isto é, em uma ética profissional, precisamos entender como legitimamos os valores e as regras morais. Para entendermos esse processo, vejamos a cena:
Imagine que em seu trabalho chegar atrasado gere uma punição de desconto salarial e uma “bronca do seu chefe”. O funcionário tem consciência de que isto pode ser ruim para ele, não apenas em termos financeiros, mas também psicológicos (ninguém gosta de ser repreendido pelo chefe todos os dias!). O fato é que se este mesmo funcionário obedece as regras apenas por medo das punições (por não ter o salário diminuído e por conta das broncas), é muito possível que na certeza da impunidade ele não chegará no horário.
O que estamos mostrando no exemplo acima é apenas uma situação, dentre várias que ocorrem no âmbito profissional, mas ela é ilustrativa para dizermos que uma pessoa legitima o valor e uma regra moral independentemente de ter que ter uma punição para segui-la. Afinal, não queremos que a força e o castigo sejam os reguladores para que uma pessoa chegue no horário, mas sim sua moral e responsabilidade para com o seu trabalho. Se você precisar de um regulador como a punição para estar em dia com o seu trabalho, então isto significa que você não legitimou a regra moral.